Earbud flathead Kawano Sho e DAP Snowsky Echo Mini (Imagem: Vitor Valeri/Hi-Fi Hub)
O Kawano Sho é um earbud flathead e se encaixam nos ouvidos de forma semelhante aos Earpods, que a Apple vendeu junto com alguns iPods. Porém, não se engane, pois o Sho é completamente diferente em termos de qualidade sonora comparado aos earbuds da fabricante do iPhone. Após alguns meses utilizando o earbud da Kawano Audio, me sinto seguro para passar minhas impressões profundas sobre o Sho neste review.
Ao receber o Sho, já é possível notar que houve uma atenção para os mínimos detalhes. Além disso, ficou claro para mim que este é um produto artesanal feito por um apaixonado por fones. Isso ficou evidente quando li o encarte e vi as espumas para o earbud separada em saquinhos com identificação para as finas, médias e grossas.

Outro ponto interessante é que o este modelo da Kawano Audio é o primeiro feito praticamente do zero pela loja boutique [1] brasileira. Daí o nome “Sho”, que neste contexto significa “começo”, “primeiro”. No tópico a seguir, onde falarei sobre a construção deste earbud flathead, isso ficará mais fácil de entender isso.
[1] Lojas boutique na indústria do áudio refere-se a pequenas fabricantes que produzem produtos em poucas quantidades. Geralmente o fundador é o responsável por todo o processo de desenvolvimento dos modelos lançados.
O corpo do Sho foi feito através de impressão 3D. Essa escolha foi feita com o objetivo de extrair o máximo do driver (alto-falante) que foi escolhido para o produto.
O cabo utilizado no Sho é feito pela QIGOM e não foi uma escolha aleatória. Segundo a fabricante, foram testados diversos cabos até chegar neste que foi utilizado no earbud.
A seguir eu falei em detalhes sobre cada um destes componentes que fazem diferença na experiência do usuário.
A técnica utilizada para construir a carcaça possibilitou uma maior liberdade para trabalhar a acústica e trazer mais facilmente a sonoridade pretendida. Além disso, utilizou-se o Nylon PA12 para realizar a impressão da carcaça do Sho. Esse material possui alta resistência à umidade e temperatura.

Lucas Kawano, responsável pelo desenvolvimento do Sho, explicou um pouco sobre como é o processo de fabricação do corpo do earbud.
“A shell é feita numa fábrica, com uma máquina que também é de manufatura aditiva, mas não é igual FDM que dá pra fazer em casa. Basicamente, ela vai “soldando” quimicamente camada por camada, com uma mistura de pó de nylon e um material que parece uma tinta. Por isso, fica sem as linhas de camada que tem em impressão 3D caseira (FDM e SLA/resina).”
Há também um pequeno detalhe sobre a carcaça do Sho. O lado direito do earbud é marcado com um pequeno círculo concavo gradado durante a impressão 3D do corpo.
O corpo do Sho não é rugoso à toa. A fabricante escolheu deixar a superfície do earbud rugosa para melhorar a aderência ao encaixá-lo no ouvido. Além disso, essa característica tambem ajudou na acústica interna do fone.

Nos primeiros dias de uso, não consegui um encaixe muito seguro em meus ouvidos, mesmo com o Sho tendo essa característica rugosa. Entretanto, com o passar das semanas, eu fui observando a melhor forma de posicioná-lo em minhas orelhas e hoje posso dizer que já não é um problema crítico. Talvez o acúmulo de sujeira e resíduos tenha colaborado para a melhora da qualidade da fixação, pois não utilizei as espumas.
O cabo do Sho é soldado diretamente no driver (alto-falante) e seu material aparenta ser robusto o suficiente para durar por anos. Mas esse não é o ponto principal deste componente, pois o que realmente faz diferença no uso de um earbud flathead é o peso. Se o cabo for muito pesado, você terá problemas para fixar o fone nos seus ouvidos, já que ele irá cair facilmente.
Tanto os fios quanto o divisor em “Y” são extremamente leves e isso colabora para que o Sho não caia das orelhas.

Entretanto, nem tudo é perfeito. A capa do cabo do Sho tem uma certa memória e isso faz com que o cabo acabe ficando com determinada conformação. Isso acaba atrapalhando ao encaixar o earbud em meus ouvidos e conectá-lo em meu DAP (Digital Audio Player).
Para minimizar o problema de memória do cabo do Sho, eu tento enrolar com muito cuidado para formar um círculo do diâmetro da case feita para o earbud. Abaixo uma foto do fone dentro de sua case, que também foi impressa em 3D.

Ao tirar o Sho de sua case, eu puxo levemente o cabo várias vezes para que ele perca um pouco sua forma enrolada. Isso facilita o encaixe nos ouvidos e a conexão com o DAP.
Na caixa do Kawano Sho você encontra diversos acessórios junto com o earbud. Há vários pares de espuma para equalizar fisicamente o som do fone, além de um chaveiro e um estojo para armazenamento.
O que chamou a atenção para mim foi o estojo de armazenamento, que é impresso em 3D. Seu formato também não é comum, pois as bordas não são simétricas e fazem curvas bem acentuadas. Além disso, ela possui imãs que permitem fechá-la sempre em uma orientação específica. Para encaixar ou remover a tampa, eu a aproximo da base e giro para a esquerda ao abrir e para a direita ao fechar.

O saquinho com as espumas conta com pares de densidades diferentes. Ao instalá-las no earbud, você altera o comportamento do som. Isso é interessante para se chegar em uma sonoridade mais agradável para o gosto pessoal do usuário. Pessoalmente eu não senti a necessidade de utilizá-las, como você verá a seguir na análise sobre o som do Sho.

Para avaliar a sonoridade do Kawano Sho, não utilizei as espumas que vem no kit de acessórios do earbud. Minha intenção com isso foi obter o som “puro” do fone de ouvido. Além disso, a assinatura sonora que obtive sem espumas já me agradou muito. Os testes foram realizados utilizando os DAPs FiiO JM21 e Snowsky Echo Mini.
Para organizar melhor a avaliação da sonoridade do Kawano Sho, fiz tópicos para falar dos graves, médios e agudos, além do palco sonoro e separação de instrumentos. Ao longo das descrições, também falo sobre o equilíbrio tonal que este earbud flathead possui.
A primeira coisa que se nota no som do Kawano Sho é que, ao contrário da maioria dos earbuds flathead, os graves são presentes. Isso faz com que haja um equilíbrio tonal melhor durante a reprodução de músicas que dependem da reprodução das baixas frequências para não soarem magras. Mas não é somente essa a qualidade deste earbud.
Falando ainda sobre a reprodução dos graves, devo dizer que eles não são exagerados. Sinto que há uma massa interessante, embora não seja como a de um in-ear. Também há punch satisfatório em trechos onde são reproduzidos, por exemplo, os sons do bumbo da bateria. O resultado é uma reprodução das baixas frequências que consegue se conectar de forma coerente aos médios e aos agudos.

Partindo para a análise dos médios, posso dizer que são naturais, doces, com excelente textura. A forma como essa faixa de frequencia é reproduzida me lembra meu Sennheiser HD 600, que para mim é uma das maiores referencias no timbre dos médios. Isso ocorre também porque os agudos não deixam nada a desejar.
Na região das altas frequências não há agressividade. Ao mesmo tempo percebo uma boa extensão e naturalidade na reprodução de, por exemplo, pratos de bateria. Esse equilíbrio entre detalhamento e ausência de estridência me conquistou. Além disso, a maneira como o timbre na faixa dos agudos é reproduzida me agradou, pois não traz a sensação de frieza.
Por fim, não poderia deixar de falar de como a separação dos sons e o palco no Kawano Sho é incrivel. Me lembra mais o som de over-ears que in-ears. As camadas e o posicionamento dos instrumentos é incrivel para um fone de ouvido deste tamanho.
Acredito que o desempenho do Sho na renderização do palco da música se deva à forma como ele fica apoiado na concha dos ouvidos. Ao invés de ficar próximo do canal auditivo, o earbud fica levemente afastado. Eu acho que é que traz uma grande sensação de “ar”, pois o som se dispersa de maneira mais natural comparado a um in-ear.

Uma coisa que notei é que o Sho é muito influenciado pelo dispositivo que você está utilizando para a reprodução das músicas. Este earbud se beneficia com uma potência de saída maior do que uma saída de fones de ouvido de um notebook ou de um smartphone.
Ao plugar o Sho no DAP Snowsky Echo Mini, senti que os agudos ficaram mais finos e os graves perderam o impacto. Embora ainda houvesse um brilho interessante nos agudos, não tinha uma dinâmica boa como a que percebi ao utilizar no meu FiiO JM21.

No FiiO JM21, o som do Sho fica muito nítido, com boa dinâmica, apresentando força nos graves e extensão nos agudos. Notei resultados melhores ao alterar o nível de ganho de baixo para médio, então fica a dica para testar esse ponto no seu DAP.

O Kawano Sho foi um earbud flathead que me agradou muito. Seu conforto é excelente, sua sonoridade não é cansativa e o desempenho na reprodução das músicas é excepcional para longas audições. O utilizei a maior parte do tempo durante o meu trabalho, onde escutei músicas em média 6 horas por dia.
Como falei durante a análise, no início você pode se atrapalhar um pouco com o encaixe do Sho nos ouvidos. Mas basta ter paciência para entender como o earbud se apoia nas orelhas e ter cuidado com o cabo, que tem um certo nível de memória.
Acredito que seja a melhor opção nacional para aqueles que moram no Brasil, mesmo considerando o valor cobrado devido ao conjunto qualidade de construção e som. Porém, se você mora no exterior, adquirir este earbud flathead pode ser custoso, mas há uma solução para isso, que explicarei a seguir.
Para realizar a compra do Kawano Sho, basta acessar a loja oficial da Kawano Audio através deste link. Porém, antes de fazer isso, recomendo conferir sobre a questão dos preços, que falo a seguir.

No Brasil, o Kawano Sho custa R$ 500 na versão com plugue single-ended (SE) de 3,5mm, que é a versão avaliada neste review. Já a versão com plugue balanceado de 4,4mm custa R$ 550.
Convertendo para o dólar americano, o Kawano Sho com plugue 3,5mm custa cerca de US$ 97 enquanto a versão com 4,4mm custa aproximadamente US$ 106. Como a Kawano Audio está sediada no Brasil, o envio para o exterior é caro e custa em média US$ 50. A solução para este problema é a compra coletiva.
Se você mora fora do Brasil, recomendo enviar um e-mail para [email protected] e criar um anúncio para a compra coletiva. A ideia consiste em definir um endereço para o recebimento dos earbuds flathead de residentes de determinado país, facilitando a retirada ou envio via correio local. Claro, o responsável por receber será uma pessoa previamente verificada pelo Lucas Kawano, fundador da Kawano Audio.