Por: Vitor Valeri
Os DAPs (Digital Audio Players) ou PMPs (Portable Media Players), popularmente conhecidos como “MP3 Players” ou “tocadores de MP3” no Brasil, foram muito populares no início dos anos 2000 até 2010. Nesta época, os mais famosos eram os iPods da Apple e os Walkman da Sony, mas havia também modelos da Samsung (YP-T10), da Cowon (Plenue D), da SanDisk (Sansa Clip), da Philips (GoGear), da Microsoft (Zune), dentre outras marcas.
Com a popularização dos serviços de streaming e o surgimento dos smartphones, os DAPs acabaram tendo sua participação no mercado consideravelmente prejudicada. Por volta de 2010, não havia Digital Audio Players capazes de executar aplicativos de streaming de música como o Spotify, mas os primeiros smartphones Android começaram a aparecer e eles contavam com saída para fones de ouvido.
Em 2014, a Sony foi uma das primeiras a trazer um DAP com sistema operacional Android no mercado, lançando o Walkman NW-ZX1. Cerca de um ano depois, a fabricante de equipamentos chinesa FiiO lançou o X7, seu primeiro Digital Audio Player com o sistema operacional do Google. A partir daí o PMPs começaram a se popularizar novamente.
Com o Android presente nos Portable Media Players, era possível baixar aplicativos de streaming de música como Spotify e Deezer para ter acesso a milhões de álbuns de diversos artistas do mundo. Isso fez com que parte do público que utilizava os PMPs voltasse a procurar por eles.
Porém, ter a capacidade de rodar apps de streaming, como os celulares já faziam, não era uma vantagem forte o suficiente para convencer algumas pessoas a comprarem um DAP. Foi então que empresas chinesas começaram a lançar Digital Audio Players com chips DAC (Digital to Analog Converter) mais avançados e sistemas de amplificação mais fortes, se comparado a celulares, notebooks e modelos mais antigos de PMPs.
Entretanto, ao aumentar a potência de saída dos DAPs, o consumo energético destes dispositivos acabou amentando consideravelmente. Por mais que os apps não consumissem muitos recursos do chipset, a bateria era sugada rapidamente, obrigando as fabricantes a utilizarem células de íons lítio com capacidade cada vez maior.
Desta forma, o mercado de Digital Audio Players foi inundado por modelos cada vez maiores e mais pesados, pois os consumidores queriam cada vez mais dispositivos com potência suficiente para “empurrar” não só fones de ouvido portáteis (in-ears, earbuds, on-ears), mas também headphones do tipo over-ear, normalmente utilizados em casa.
Em agosto de 2025, o fundador da FiiO, James Chung, disse durante uma publicação na rede social chinesa “weibo”:
“Nos últimos anos, a potência de saída dos portáteis vem aumentando, mas ainda há limitações, já que é preciso equilibrar aquecimento, tamanho, peso e autonomia. Isso significa que estamos chegando perto do limite.”
No ano de 2024, o rumo mudou novamente, com o lançamento de um DAP chamado FiiO JM21. Este dispositivo é capaz de entregar, segundo as especificações oficiais, até 700mW na saída balanceada (4,4mm) em 32 Ohms. Mesmo tendo uma potência gigantesca, ele pesa apenas 156g, é fino como um celular, tendo apenas 13mm de espessura e por ter uma tela de 4,7”, é compacto.
Ao fim, mesmo com todas estas mudanças, ainda há pessoas que não acham vantajoso utilizar um Digital Audio Player ou simplesmente esse tipo de dispositivo não se encaixa em sua rotina. Por isso, irei esclarecer a seguir quais as vantagens e desvantagens de utilizar um DAP.
Ao utilizar um DAP, há diversos pontos que o tornam um dispositivo interessante de se utilizar para escutar música. São eles:
1 – Ajuste de volume é mais preciso: há números como referência, passos de volume menores e três diferentes níveis de ganho [1] para ajustar de acordo com a impedância e sensibilidade do fone de ouvido.
2 – Botões físicos para controlar a música: permitem que você não precise ligar a tela para executar comandos simples como reproduzir, pausar, avançar ou retroceder, além de ajustar o volume.
3 – Consumo de bateria não compartilhado: Eficiência energética maior, já que não há a execução de processos relacionados à outras finalidades que não a reprodução da música.
4 – Diversas formas de conexão: Há mais opções de se conectar dispositivos. Você pode utilizar as seguintes:
• Receptor Bluetooth: permite que o usuário receba dados de áudio via Bluetooth de outro dispositivo como, por exemplo, um celular ou uma TV.
• Cabo coaxial S/PDIF com conector 3,5mm para RCA: transmissão do áudio para um DAC ou um processador de áudio (DSP) automotivo.
• Line Out: Transmissão do áudio com volume fixo no máximo para um amplificador através de um cabo 3,5mm ou 4,4mm para RCA ou XLR.
• Cabo USB: Permite transmitir áudio a um DAC de mesa, usando o DAP somente como reprodutor, sem utilizar seu DAC e amplificador interno. Além disso, é possível receber o sinal do computador e utilizar o Digital Audio Player como um DAC/amp USB ou “placa de som externa”.
• Transmissor Bluetooth: para conectar um fone de ouvido ou caixa de som Bluetooth.
5 – Hardware voltado para áudio: placa desenvolvida para que haja proteção contra interferências e melhor transmissão do sinal de áudio.
6 – Não há distrações: enquanto no celular existem vários aplicativos que distraem, um dispositivo dedicado à música traz atenção e dedicação à audição dos álbuns e playlists.
7- Saída para fones de ouvido: há duas saídas para fones de ouvido, uma single-ended (SE) de 3,5mm e uma balanceada de 4,4mm. Enquanto isso, os celulares com saída para fones estão cada vez mais raros e se você quiser conectar um fone cabeado a eles, será necessário comprar um DAC/amp USB portátil, popularmente conhecido como “dongle” ou “adaptador de fones de ouvido”.
8 – Slot para cartão MicroSD: permite que você grave músicas no cartão ou baixe músicas de serviços de streaming para ouvir offline.
9 – Transmissão do áudio sem interferência: o Android nos DAPs é modificado para que se receba o áudio com menos interferências possíveis do sistema operacional. Isso é feito através do by-pass do SRC (Sample Rate Conversion) [2] aplicado pelas APIs de áudio do Android e do acesso exclusivo ao áudio do SO pelo app de música que está sendo executado.
10 – Maior potência de saída: é possível utilizar fones over-ear com alta impedância em conjunto com devido à potência de saída maior do que a encontrada em celulares e notebooks. Para um melhor desempenho, ainda há um controle dessa potência através da utilização de níveis de ganho.
[1] Níveis de ganho servem permitem o uso inteligente da potência fornecida pelo dispositivo, permitindo um controle mais preciso ao ajustar o nível de volume. O ganho baixo é ideal para fones de alta sensibilidade e baixa impedância (exemplo: in-ears e earbuds) enquanto o ganho alto é ideal para fones de alta impedância e baixa sensibilidade (exemplo: over-ears).
[2] SRC (Sample Rate Conversion) faz o resampling (redimensionamento), que converte todos os arquivos de áudio para a taxa de amostragem de 48 kHz.
Há momentos em que, dependendo da nossa rotina ou como utilizamos os dispositivos para ouvir música, um DAP pode deixar de ser interessante. Veja quais:
1 – Consumo de energia alto com Wi-Fi ligado: ao ligar o Wi-Fi para utilizar serviços de streaming, o consumo de energia costuma ser maior se comparado ao de um celular comum. A alternativa para resolver este problema é fazer o download das músicas para ouvir offline, tomando o cuidado de configurar no app de streaming o destino de armazenamento como sendo o cartão microSD.
2 – Preço elevado: quando se compra um DAP, você paga por todos os recursos inclusos nele e sua capacidade de reproduzir música sozinho, sem depender de nenhum dispositivo externo. A alternativa mais barata, quando os recursos proporcionados pelo Digital Audio Player não são tão importantes, são os DAC/amps portáteis.
3 – Recursos não relevantes para o uso: nem sempre ter vários recursos disponíveis irão fazer diferença para a pessoa, pois por vezes ela só quer um dispositivo para reproduzir música com qualidade de som maior, mesmo que seja preciso utilizar dois dispositivos como, por exemplo, um celular mais um DAC/amp portátil com função de receptor Bluetooth.
4 – Torna-se um segundo dispositivo para carregar: dependendo de como se utiliza o DAP, o usuário pode ser obrigado a carregá-lo junto com um celular frequentemente e isso pode se tornar um incomodo para alguns.
Recomendação de artigos relacionados ao tema:
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