Sony Walkman: história, evolução e por que a marca continua viva

Por: Vitor Valeri

Hobbysta de fones há mais de 15 anos, fundou o site Hi-Fi Hub e é administrator dos grupos Fones High-End e Fones Low-End no Facebook.
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Publicado em: 29/07/26 às 20:57 - Atualizado em: 03/08/26 às 11:29
Imagem - Sony Walkman: história, evolução e por que a marca continua viva Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-ZX707 (Imagem: Vitor Valeri/Hi-Fi Hub)

O nome Walkman para muitos se refere ao famoso reprodutor fitas cassete da Sony. Entretanto, a empresa japonesa lançou diversos tipos de reprodutores de música portáteis sob a marca Walkman, incluindo reprodutores de CD Walkman e MD (MiniDisc) Walkman.

Atualmente, a marca Walkman foca no desenvolvimento de Digital Audio Players (DAPs). Estes reprodutores de música não lidam mais com mídias físicas e sim com arquivos digitais de áudio de alta resolução (Hi-Res). Os modelos mais recentes possuem sistema operacional Android, Play Store e apps de streaming de música como Spotify, Deezer, Apple Music, YouTube Music, dentre outros.

Neste artigo você conhecerá um pouco mais sobre o que Sony já produziu com a marca Walkman. Além disso, saberá o porquê o nome “Walkman” tem tanta força até hoje entre os amantes do áudio portátil. Também será explicado o motivo pelo qual a Sony não pode lançar mais reprodutores de fita cassete.

Há 47 anos a Sony lança reprodutores de música Walkman

Tudo começou com o Walkman TPS-L2, o primeiro reprodutor de música da marca. Lançado no dia 1° de julho de 1979, o TPS-L2 era um leitor portátil de fitas cassete.

De acordo com o departamento de relações públicas (PR) da Sony, a ideia que originou a linha de produtos Walkman é a seguinte:

“Levar sua música favorita para qualquer lugar e apreciá-la com alta qualidade sonora, a qualquer hora e em qualquer lugar.”

Reprodutor de fita cassete Sony Walkman TPS-L2 (Imagem: Akira Tanaka/X)

Quatro anos depois, em 1983, a Sony lançou o primeiro Walkman da linha “Sport”, o WM-F5. Resistente a impactos e a respingos de água, o reprodutor de fitas cassete ficou famoso por sua carcaça na cor amarela.

Reprodutor de fita cassete Sony Walkman WM-F5 (Imagem: Akira Tanaka/X)

A popularidade do WM-F5 é tão grande que durante a comemoração dos 40 anos do Walkman, havia uma réplica em frente ao prédio da Sony.

Réplica do Walkman WM-F5 em frente ao prédio da Sony em Tóquio (Imagem: The Japan Times/YouTube)

No mesmo ano em que o WM-F5 estreou no mercado, a Sony também trouxe outro Walkman que marcou a história, o WM-20. Seu maior destaque era ter quase o tamanho de uma fita cassete.

Reprodutor de fita cassete Sony Walkman WM-20 (Imagem: Akira Tanaka/X)

Um ano depois, em 1984, a Sony lançou o primeiro reprodutor de CD portátil do mundo, o Discman D-50. Quatro anos depois, a companhia japonesa lançou o sucessor Discman D-100 (D-10). Ao longo dos anos, a Sony mudou o nome de seus CD Players Discman para Walkman.

Reprodutor de CD Sony Discman D-100 (D-10) (Imagem: Akira Tanaka/X)

Em 1990, a Sony lançou seu primeiro reprodutor ultraportátil de DAT (Digital Audio Tape). Porém, como esse tipo de fita cassete era caro, foi um aparelho que não teve tanta popularidade. As DAT possuem uma fita magnética de 4mm e tem metade do tamanho de uma fita cassete padrão.

Reprodutor de fitas DAT Sony (Imagem: Kid Clutch/Wikipedia)

Em 1996, a Sony lançou um reprodutor de MD (MiniDisc) chamado MZ-E50. Este modelo representava na época o reprodutor de música portátil mais fino e leve do mundo.

Reprodutor de MD (MiniDisc) Sony Walkman MZ-E50 (Imagem: Akira Tanaka/X)

Chegam os Digital Audio Players (DAP) Sony Walkman

Em 2009, a série NW-X1000 (ou NWZ-X) foi lançada com modelos de 16GB (X1050) e 32GB (X1060) de armazenamento interno. Com tela OLED de 3 polegadas, o X1000 tinha capacidade de streaming de vídeos no YouTube, além de reproduzir músicas em MP3, AAC, WMA e WAV. Seu conector para carregamento da bateria e transmissão de dados era proprietário, sendo necessário utiliza o cabo WMC-NW20MU.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-X1000 (Imagem: Akira Tanaka/X)

Mesmo adotando telas sensíveis ao toque em seus DAPs, a Sony tinha modelos que eram controlados somente por botões. Um exemplo disso é o Walkman NW-S544 (ou NWZ-S544), um modelo com 8GB de armazenamento interno lançado em agosto 2009.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-S544 (Imagem: Akira Tanaka/X)

Dois anos depois, a Sony lançou seu primeiro DAP com Android, o NW-Z1000. A versão do Android executada pelo reprodutor de música era a 2.3.4 (Android Gingerbread). Este modelo contava com uma saída HDMI, além de alto-falantes. Após pesquisar por análises do Z1050, versão de 16GB do DAP, notei que o único app de streaming presente era o YouTube.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-Z1000 (Imagem: DigInfo/YouTube)

Uma das séries de DAPs mais compactas da Sony, a linha Walkman “M”

Um dos modelos de DAPs mais compactos lançados pela Sony foi o Walkman NW-M505, lançado em 2013. Esse Walkman da série M tinha tela OLED, além de reproduzir arquivos MP3 e WAV, contava com Bluetooth e rádio FM. Os comandos eram feitos por botões, assim como a série Walkman S e os primeiros modelos Walkman A, que veremos a seguir.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-M505 (Imagem: Akira Tanaka/X)

Uma das linhas mais queridas da Sony, a série Walkman “A”

Há uma linha de DAPs Walkman acima da “S”, a série Walkman “A”. Considerada por muitos o “sweet-spot” do catálogo de DAPs Walkman, seus modelos são conhecidos pelo corpo compacto e leve.

Um dos primeiros lançamentos da série Walkman “A” foi o NW-A15, lançado em novembro de 2014. Seus controles eram feitos somente por botões, não havia tela sensível ao toque para navegar pelo menu. Porém, a navegação pelas listas de músicas era fluida e fácil de realizar transições entre as telas.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-A15 (Imagem: Akira Tanaka/X)

Com design muito semelhante ao adotado no NW-A15, a Sony lançou em 2015 o NW-A25. Porém, depois disso a empresa decidiu mudar para a tela sensível ao toque com o modelo NW-A35, lançado em fevereiro de 2017. O mesmo se repetiu com os modelos NW-A45 e NW-A55, que foram lançados em 2018.

Digital Audio Players (DAPs) Sony Walkman NW-A35 e NW-A45 (Imagem: Vitor Valeri/Hi-Fi Hub)

O 1° Walkman da série A com Android e acesso a apps de streaming de música

Em 2019 a Sony lançou o NW-A105, seu primeiro Walkman da série A com acesso a apps de streaming de música. Através do Android 9 e da Play Store, era possível baixar apps como Spotify e Deezer, por exemplo.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-A105 (Imagem: Akira Tanaka/X)

O Sony Walkman da série A usa Android 14

O Walkman da série A mais recente que foi lançado é o NW-A305, que chegou ao mercado em janeiro de 2023. Quando o DAP foi lançado, ele chegou com o Android 12, mas através de atualizações, foi atualizado para o Android 14.

As séries de DAPs Sony Walkman voltadas para entusiastas

Além das séries S e A, que são consideradas a “porta de entrada”, os DAPs Sony Walkman contam com duas séries voltadas para entusiastas do áudio. A série intermediária chama-se Walkman ZX enquanto o topo da linha tem o nome de Walkman WM1.

O primeiro modelo da série Walkman ZX, foi o NW-ZX1. Lançado em 2013, o DAP contava com o sistema operacional Android 4.1, mas ainda era limitado em termos de apps de streaming.

A Sony ainda quis insistir no Android com o lançamento do NW-ZX2 em 2015. Porém, no mesmo ano a empresa tambem lançou o NW-ZX100, que utilizava um SO proprietário e entregava uma experiência que agradou a muitos.

A companhia manteve a estratégia de utiliza um SO desenvolvido internamente com o NW-ZX300, lançado em 2017. Entretanto, a Sony voltou a adotar o Android em 2019 com o NW-ZX507, que executa a versão 9 do sistema operacional do Google.

O modelo mais recente da série ZX é o NW-ZX707, lançado em 2023, que roda Android 14. De acordo com informações do site TheWalkmanBlog, a Sony pretende lançar um sucessor em breve, o NW-ZX900.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-ZX707 (Imagem: Vitor Valeri/Hi-Fi Hub)

Os primeiros modelos da série Walkman WM1 foram lançados em 2016, o NW-WM1A e o NW-WM1Z. Na época, a Sony optou por utilizar um sistema operacional proprietário e não utilizar apps de serviços de streaming.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-WM1Z (Imagem: Akira Tanaka/X)

Seis anos depois, em 2022, a Sony lançou a segunda geração de seus DAPs topo de linha, o NW-WM1AM2 e o NW-WM1ZM2. Estes modelos já contavam com o sistema operacional Android, Play Store e suportavam apps de streaming de música.

Por que o nome “Walkman” tem tanta força até hoje entre os amantes do áudio portátil?

Os reprodutores de música Walkman sempre procuraram se diferenciar de alguma forma para trazer uma boa experiência para o usuário. Seja através da miniaturização da carcaça e/ou da qualidade de som, a Sony procurou desenvolver produtos que trouxessem prazer ao ouvir faixas, álbuns e playlists.

Eu não tenha tido a experiência com os reprodutores de fita cassete e MiniDisc (MD) da Sony. Porém, eu tive a oportunidade de utilizar os CD players e Digital Audio Players (DAPs) Walkman.

A experiência que tive com os CD Players Sony Walkman

No caso dos CD Players, pude utilizar modelos Walkman do final da 90 e do início dos anos 2000. Me lembro que eles eram compactos comparado com a maioria dos reprodutores de CD portáteis, tendo praticamente o tamanho de um CD. Algo que eu achava muito bonito era o logo “Walkman” pintado com tinta metálica.

O som dos CD Players Walkman era agradável, mas na época eu escutava com fones de ouvido do tipo on-ear bem simples. Fico tentando imaginar como seria revisitá-los utilizando um IEM (In-Ear Monitor) recente.

O que achei ao utilizar DAPs Sony Walkman

A minha experiência com Digital Audio Players (DAPs) Sony Walkman iniciou entre 2017 e 2018 com os modelos NW-A35 e NW-A45. Eu considero o tamanho e o peso deles ideal para uma solução de áudio verdadeiramente portátil.

O chassi do A35 e do A45 é feito em metal e seus botões físicos são os melhores que já experimentei até hoje, junto com os do NW-ZX707. O formato, o tamanho e a disposição dos botões físicos foi e ainda continua sendo o melhor design que já vi em um DAP.

Botões do Sony Walkman NW-A105 são semelhantes aos dos modelos A35 e A45 (Imagem: Akira Tanaka/X)

Me lembro que a navegação no A35 e no A45 era muito fluida e não havia engasgos em momento algum. É importante lembrar que o SO utilizado nestes DAPs é proprietário e não há como instalar apps de streaming de música, já que não é Android.

A sonoridade dos DAPs Walkman da série A que experimentei é muito fácil de agradar. O som tem um bom nível de detalhes, mas não é agressivo. Eu diria que a reprodução das músicas chega a ficar sedutora, provocando ainda mais a vontade de ouvir por horas.

Oito anos depois, experimentei o Walkman NW-ZX707, um DAP intermediário da Sony com sistema operacional Android. Pela primeira vez vi uma saída de fones de ouvido balanceada 4,4mm em um player de música da marca. Além disso, eu tinha a possibilidade de utilizar apps de streaming de música.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-ZX707 e CIEM JH Audio JH5 Pro (Imagem: Vitor Valeri/Hi-Fi Hub)

Sem dúvidas a construção do ZX707 é primorosa e luxuosa. Mesmo sendo um DAP grande, ele é facil de segurar, proporcionando uma boa pegada e facilitando o pressionamento dos botões. Entretanto, achei a experiência de navegação pela interface do sistema operacional muito lenta, embora dentro dos apps ficasse mais fluida.

O som no ZX707 me agradou tanto quanto o que encontrei no A35 e no A45, mostrando que a Sony realmente sabe o que agrada seus fãs. Na verdade, eu achei a sonoridade um nível acima em termos de dinâmica e detalhamento, comparado aos modelos da série Walkman A. Você pode conferir detalhes mais a fundo em meu review sobre o Sony NW-ZX707.

Porque a Sony não pode lançar mais reprodutores de fita cassete

É difícil que a Sony relance seus reprodutores de fita cassete e um ex-projetista de reprodutores de música Walkman explicou os motivos. Akira Tanaka trabalhou na Sony até o ano de 2025 e desde então tem publicado opiniões pessoais na rede social X (antigo Twitter).

No dia 22 de julho de 2026, Akira Tanaka revelou o porquê a Sony basicamente não pode mais relançar reprodutores de fita cassete. O primeiro motivo é a não produção de peças necessárias para a constrição dos leitores de fita cassete.

“Muitos componentes, como motores ultracompactos, cabeças magnéticas, unidades ópticas de leitura (optical pickup) e circuitos integrados (ICs) dedicados, já saíram de linha. Não é possível simplesmente reviver o projeto original; seria necessário redesenhar praticamente todo o produto do zero.”

Como as peças pararam de ser fabricadas, bastaria voltar a produzi-las, correto? Mas não é tão simples assim. O segredo para os Walkman serem tão compactos era a produção de componentes projetados especificamente para determinados projetos de reprodutores de fita cassete.

“Os Walkman eram extremamente compactos, finos e precisos, mas as linhas de produção especializadas e o conhecimento técnico utilizados para fabricá-los já não existem.”

Como não há mais a produção de tais peças, os reprodutores de fita cassete que são lançados hoje são maiores que os Sony Walkman. Então você deve estar se perguntando: Por que não desenvolver um projeto do zero, já que ainda há fãs desse tipo de aparelho? A resposta não é tão simples e dois fatores são decisivos: o custo de oportunidade e a venda da mídia física atualmente.

“Embora haja muitos fãs que desejem o retorno desses aparelhos, o mercado é bastante nichado. Com um volume de vendas de apenas algumas dezenas de milhares de unidades, seria difícil recuperar os custos de desenvolvimento e de fabricação dos moldes, tornando o projeto pouco viável como negócio.”

O custo de oportunidade também torna inviável um novo reprodutor de fitas cassete Walkman

O CEO e fundador da FiiO, empresa responsável por lançar o reprodutor de fitas cassete CP13, explicou sobre o custo de oportunidade. Segundo James Chung, antes de colocar um produto no mercado é importante considerar os custos de acordo com as estimativas de venda. Abaixo um exemplo sobre a venda de um rack de metal para apoiar equipamentos de áudio na mesa.

“Na prática, considerando custo de materiais, frete, embalagem, imposto sobre valor agregado, comissões das plataformas, custos de pós-venda, engenheiro estrutural, designer gráfico e atendimento ao cliente, acredito que vender 1.000 unidades apenas empata os custos.
Se considerarmos que a maior parte das vendas ocorre via distribuidores, que também precisam obter um lucro razoável para pagar salários e aluguel, provavelmente seriam necessárias cerca de 2.000 unidades apenas para alcançar o ponto de equilíbrio.”

As vendas de fitas cassete continuam muito instáveis

A venda de fitas cassete infelizmente ainda não é consistente o suficiente, mesmo havendo lançamentos recentes de álbuns. Segundo a revista britânica Music Week, a “recuperação das fitas cassete tem sido muito mais irregular”.

Andre Paine conta na publicação da Music Week que a venda de fitas cassete até julho de 2026 está em queda.

“No segundo trimestre, as vendas de fitas cresceram 16,2%, alcançando 33.427 unidades. Entretanto, no acumulado de 2026, elas apresentam queda de 25,3%, totalizando apenas 68.815 unidades vendidas.”

Para efeito de comparação, no segundo trimestre de 2026 foram vendidas 2.050.792 unidades de CDs enquanto houve a compra de 1.837.536 unidades de discos de Vinil.

Conclusão

A marca Walkman tem tentado acompanhar a evolução da indústria do áudio de música portátil há quase cinco décadas. Ao longo dos anos, a Sony procurou adaptar seus reprodutores de música Walkman às mudanças dos hábitos dos usuários e dos tipos de mídias (físicas, digitais, analógicas).

Na minha opinião, os reprodutores portáteis da Sony conseguiram fazer com que as pessoas “sentissem a música”. Ao desenvolver seus produtos, a empresa japonesa sempre tentou pensar em como proporcionar uma boa experiência de uso e uma qualidade de som diferenciada.

Mesmo que seja improvável que os reprodutores de fita cassete Walkman sejam relançados, a Sony tentou trazer essa nostalgia de volta com seus DAPs. Um exemplo disso, foi a edição especial do Digital Audio Player Sony Walkman NW-A100TPS, inspirada no primeiro Walkman TPS-L2.

Digital Audio Player (DAP) Sony Walkman NW-A100TPS (Imagem: Akira Tanaka/X)

É errado falar que o Walkman é representado pelas fitas cassete. A marca vai além de uma simples mídia física analógica e representa uma filosofia de ouvir música em movimento com muito prazer. O objetivo é fazer com que você esqueça o equipamento que está utilizando e curta a música, independente do formato da mídia utilizada.

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