Por: Vitor Valeri
Fone de ouvido in-ear com cabo USB-C Moondrop May (Imagem: Vitor Valeri/Hi-Fi Hub)
Fones cabeados com USB-C não conseguem substituir modelos com plugue 3,5mm (P2). Entretanto, eles ainda podem valer a pena para utilizar em celulares sem “entrada P2”. Tudo irá depender das necessidades de quem está utilizando e da compatibilidade do smartphone.
As diferenças entre fones com cabos com plugues USB-C e 3,5mm giram em torno da necessidade do sinal analógico. Para isso, é necessário compreender sobre os tipos de sinais que os conectores utilizados podem lidar.
Com relação à qualidade de som, há limitações físicas de hardware em fones com USB-C. O espaço disponível no conector USB para o DAC (Digital to Analog Converter) e o amplificador impede a extração de todo o potencial do fone.
Confira a seguir a resposta para essas e outras questões relacionadas aos fones cabeados com plugue USB-C e descubra se realmente eles compensam ou não.
Os fones de ouvido que utilizam cabos com plugue USB-C podem receber áudio de duas formas: passiva e ativa.
A forma passiva de receber áudio acontece quando a porta USB transmite sinal analógico ao invés de sinal digital, utilizando assim o DAC e o amplificador do próprio celular.
Já a maneira ativa para obter áudio por meio da conexão USB-C ocorre através da utilização de um dispositivo externo que contêm um DAC e/ou um amplificador.
Hoje, quando você utiliza um fone cabo com USB-C, o áudio é transmitido de forma ativa. Porém, até 2023, o áudio também podia ser transmitido de forma passiva para os fones.

Até o ano de 2023, o “Audio Accessory Mode” permitia a simulação de um conector 3,5mm TRS, popularmente chamado de P2. Esse modo fazia com que o conector USB-C reconfigurasse o funcionamento de três de seus 24 pinos para transformá-los em linhas de sinal analógico, além de usar um pino para detecção do fone.
Entre 2023 e 2024, as especificações do USB-C mudaram e tornaram o “Audio Accessory Mode” obsoleto. Embora o USB-IF (USB Implementers Forum) não tenha removido imediatamente o modo, várias fabricantes de celulares optaram por remover. O motivo foi a prevenção contra a corrosão por líquidos na porta USB dos smartphones.
Quando a obsolência do “Audio Acessory Mode” ocorreu, o “Liquid Corrosion Mitigation Mode” entrou no lugar. Nos dois modos, utilizou-se o mesmo padrão elétrico de resistores. Consequentemente, quando a porta USB entrava em contato com água, o celular pensava que o usuário conectou um fone com cabo USB ou um adaptador passivo de USB para P2. Isso obrigou os fabricantes a eliminar o “Audio Acessory Mode” para lançar smartphones com certificação IP67 e IP68.
Sim, existem diferenças de qualidade de som entre fones com cabo USB-C e 3,5mm (P2). Porém, isso é verdade em modelos que são mais exigentes em termos de potência de saída fornecida pelo amplificador.
O amplificador está dentro dos cabos com plugue USB-C, junto com o DAC. Ele é necessário para elevar a tensão e a corrente do sinal de forma suficiente para permitir que o diafragma do fone vibre e gere som. Sua qualidade irá influenciar consideravelmente o som do fone.
O grande problema é que, devido à falta de espaço, é extremamente dificil conseguir desenvolver um bom circuito de DAC e amplificador dentro de plugue USB de um cabo. Consequentemente, há uma grande chance de o potencial total do fone não ser extraído devido ao uso de um cabo com USB-C.

A falta de uma boa amplificação pode ser identificada pela falta de presença na faixa das baixas frequências (graves) e uma sensação de agressividade nos agudos durante a reprodução das músicas. Porém, é importante averiguar primeiro como são os relatos sobre a sonoridade do fone de ouvido que você possui ao utilizar um cabo com conector analógico 3,5mm ou 4,4mm, caso o seu modelo tenha cabo removível.
O fone com cabo USB-C realmente vale a pena quando você quer gastar o mínimo possível ou quando o cabo utilizado tem conector modular.
No caso de fones muito baratos, que custam menos de US$ 20, o cabo USB-C pode valer a pena. Um bom DAC/amp USB (“adaptador USB de fones” ou “dongle DAC”) custa em média cerca de vinte dólares. Desta forma, compensa mais comprar o fone com cabo USB-C, caso queira gastar o mínimo possível. Exemplo: Moondrop Chu II DSP.
Através de cabo com conector modular, é possível escolher entre usar o plugue USB-C ou o plugue 3,5mm e até mesmo conectores balanceados 4,4mm. Você desconecta um conector e substitui por outro através de um sistema de encaixe de pinos. Desta forma, há flexibilidade total para conectar o fone de acordo com a necessidade do momento.
Existem alguns fones com cabo USB-C que possuem suporte para DSP com possibilidade de ajustes como, por exemplo o Moondrop May e o Moondrop Rays.

Há também cabos vendidos à parte com esse recurso como, por exemplo, o Moondrop FreeDSP e o Moondrop FreeDSP Pro. Eles permitem que você utilize a ferramenta com modelos de qualquer fabricante de fones.

Em ambos os casos, a fabricante dos fones e cabos disponibiliza um aplicativo para que o usuário crie sua própria equalização. Isso permite que todos os aplicativos instalados no celular reproduzam sons de acordo com os ajustes feitos.

Para facilitar, a Moondrop permite que você selecione uma curva de resposta de frequência alvo. Ao fazer isso você pode aplicar ajustes manualmente para que o fone se aproxime da sonoridade desejada. Porém, é possível também selecionar o botão “auto EQ”, que realiza as alterações de forma automática.

Outra opção realizar a importação de equalizações feitas por usuários que também utilizam o aplicativo da Moondrop.

Através do aplicativo Wavelet, do desenvolvedor “pittvandewitt”, é possível aplicar equalizações facilmente em seu fone de ouvido. Entretanto, ele está disponível somente na Play Store, loja de apps do sistema operacional Android.
Os fones USB podem ser interessantes tanto para facilitar a conexão em celulares que não possuem saída 3,5mm (P2) quanto para aplicar equalização global para todos os apps instalados no smartphone. Entretanto, equalizar não é um recurso milagroso, sendo importante fazer um breve estudo sobre o tema e realizar muitos testes.
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